domingo, 8 de novembro de 2009

[Guimarães] Aqui há (muito) gato!

"Não há cheiros, nem desarrumação. A saúde e higiene dos 30 habitantes do gatil são prioridades. Todos os animais estão vacinados e esterilizados. A veterinária municipal colabora para tal."
http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=750D1FAB1D557A27E0400A0AB8002637&opsel=1&channelid=0

Na Escola Básica 2+3 e Secundária Santos Simões, em Guimarães, há gatos pretos, cinzentos, malhados e tigres. Alguns estão colados nas portas das salas e nas paredes, mas esses são apenas para a decoração do Dia das Bruxas.
Mudaram de instalações e a população de gatos que rondava a antiga escola secundária por lá ficou indiferente à demolição do edifício. A boa vontade de não abandonar e, sobretudo, continuar a alimentar aqueles vigilantes especiais da escola foi a força motora da ideia de construir um gatil nas novas instalações da Escola Básica 2+3 e Secundária Santos Simões, em Guimarães. Após três anos de imenso trabalho, em Maio de 2009 surgia o Gatil Simãozinho, um projecto pedagógico único no país. O espaço contempla uma casa especial de paredes de madeira acondicionada para ser fresca no Verão e quente no Inverno. Um terraço onde os gatos se recreiam. E um jardim arborizado. Uma concepção de uma arquitecta local, também fã de felinos. Não há cheiros, nem desarrumação. A saúde e higiene dos 30 habitantes do gatil são prioridades. Todos os animais estão vacinados e esterilizados. A veterinária municipal colabora para tal. No intervalo a casa dos gatos enche-se de alunos que aproveitam todos os minutos para lhes passarem a mão no pêlo. "Estou a ouvir muito barulho", avisa Luísa Veiga, a professora que nunca se esqueceu de levar comida da cantina aos gatos
pioneiros, quando estes ainda habitavam os escombros da antiga escola. "Já sabem que assim os gatinhos stressam..."
Agora funciona tudo como deve. Mas construir um gatil dentro de um estabelecimento de ensino foi "trabalhoso", garante Luísa Veiga, que, além de ensinar Português e Francês é também a coordenadora do projecto. "Bati à porta de muitas empresas." Imagina-se o trabalho de "pedinchar" apoio financeiro em altura de crise e sobretudo para um projecto educativo tão
"fora do comum". Mas já muito conhecido para lá das barreiras vimaranenses.
No placard junto da biblioteca algumas notícias ilustram o interesse que o gatil tem despertado. Mais do que as fotocópias das páginas da imprensa, são os e-mails de encorajamento ao projecto de cidadãos preocupados com a defesa dos direitos dos animais que fazem o orgulho de todos: pais, professores, funcionários e alunos. "É um serviço de interesse público que a escola presta também à comunidade abrigando e tratando animais que estariam abandonados e espalhados pela cidade", garante a professora.
De um grupo de senhoras da Amadora, também amantes dos felinos, o gatil recebeu um gentil donativo de 38 euros. A quem contacta a escola via correio electrónico ou carta, os alunos que fazem parte do "clube" dos gatos respondem com igual carinho e dedicação, contando as peripécias do dia-a-dia do gatil e enviando fotos dos protagonistas. A isto, sublinha a professora Luísa Veiga, chama-se "cidadania".
"O grande objectivo deste projecto pedagógico é formar cidadãos sensíveis ao respeito pelos direitos dos animais", resume Luísa Veiga. A certeza de que os mimos e cuidados que os gatos recebem dos alunos, na maioria na casa dos 12 anos, leva a professora a acreditar piamente que "nenhum destes meninos e meninas há-de abandonar um animal".
Isto também é educação!

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